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Dificuldades de Aprendizagem

TDAH pelo SUS: Como Funciona da Avaliação ao Acompanhamento

Ingrid Santos
Last updated: setembro 15, 2026 10:19 am
By Ingrid Santos - Psicopedagoga
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7 Min Read
Pai e criança em sala de espera acolhedora, representando o atendimento de TDAH pelo SUS
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“Acho que meu filho tem TDAH, mas não tenho condições de pagar consulta particular.” Essa é uma das frases mais comuns nos grupos de mães — e a boa notícia é que o SUS atende, sim, crianças com suspeita de TDAH. A notícia menos boa é que o caminho tem etapas, fila, e exige paciência. Este texto explica como funciona, passo a passo, para que você saiba exatamente o que esperar.

Contents
Passo 1 — UBS: a porta de entradaPasso 2 — Encaminhamento para especialistaPasso 3 — A avaliação do especialistaE a medicação pelo SUS — tem?O que a escola pode (e deve) fazer enquanto issoResumo do caminho

Em uma frase: o SUS oferece avaliação, acompanhamento e, quando necessário, medicação para TDAH infantil. O caminho começa na UBS do bairro, passa pelo encaminhamento para especialista e pode incluir CAPS ou serviço de referência em saúde mental. O tempo de espera varia muito por cidade.

Este conteúdo é informativo

As informações desta página têm caráter educativo e não substituem a avaliação de um profissional habilitado. Cada criança tem um ritmo próprio, e sinais isolados não definem nada sozinhos. Se algo preocupa você, procure um psicopedagogo, psicólogo ou neuropediatra para uma avaliação individualizada.

Passo 1 — UBS: a porta de entrada

O primeiro lugar é a Unidade Básica de Saúde (UBS ou “postinho”) mais perto da sua casa. Você não precisa de encaminhamento para ir lá — é só marcar consulta com o pediatra ou médico da família.

Na consulta, explique o que você observa no comportamento do seu filho. Seja específica:

  • Em que situações a dificuldade aparece (escola, casa, os dois).
  • Desde quando você percebe.
  • Se a escola já fez alguma observação ou relatório.
  • Se existe alguém na família com diagnóstico de TDAH.

Leve qualquer documento que já tenha: relatório escolar, avaliação psicopedagógica, anotações da professora. Isso ajuda o médico a entender o quadro e agiliza o encaminhamento.

O que o médico da UBS pode fazer: avaliar a queixa inicial, descartar causas mais simples (problemas de visão, audição, sono, anemia) e encaminhar para o especialista quando julgar necessário.

Caminho de pedras levando a um prédio acolhedor, representando as etapas da avaliação de TDAH pelo SUS

Passo 2 — Encaminhamento para especialista

Se o médico da UBS entender que a queixa é consistente, ele faz o encaminhamento para um neuropediatra ou psiquiatra infantil da rede pública. Dependendo do município, o caminho pode ser:

  • Ambulatório de especialidades — consulta direta com neuropediatra.
  • CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) — quando existe CAPS infantojuvenil (CAPSi) na cidade, ele costuma ser a referência para TDAH.
  • Centro de Referência em Saúde Mental — algumas cidades maiores têm serviços específicos para neurodesenvolvimento infantil.

O tempo de espera entre o encaminhamento e a consulta com o especialista é a parte mais frustrante do processo. Varia de semanas a meses, dependendo da cidade e da fila. Algumas estratégias para lidar com isso:

  • Pergunte na UBS qual é o tempo médio de espera na sua cidade — ter uma expectativa realista ajuda.
  • Peça que a UBS registre seu filho como “prioridade” se houver prejuízo escolar grave ou risco de reprovação.
  • Enquanto espera, busque a avaliação psicopedagógica — ela mapeia o impacto na aprendizagem e pode ser feita em paralelo, sem depender do encaminhamento médico. O relatório que ela gera é útil tanto para o especialista quanto para a escola.

Passo 3 — A avaliação do especialista

O neuropediatra ou psiquiatra infantil vai fazer uma avaliação clínica — que inclui entrevista detalhada com os pais, revisão de relatórios escolares, aplicação de escalas padronizadas (como a SNAP-IV) e observação da criança.

Pontos importantes:

  • Não existe exame de sangue ou de imagem que diagnostique TDAH. O diagnóstico é clínico — baseado em história, observação e critérios do DSM-5.
  • O especialista pode pedir avaliação complementar: neuropsicológica, fonoaudiológica ou psicopedagógica, para entender melhor o quadro e descartar outras condições.
  • Se o diagnóstico for confirmado, o médico define a conduta: acompanhamento, orientação à família e à escola, e, quando indicado, medicação.
Mãos de adulto e criança entrelaçadas com relógio ao fundo, representando a espera e o acompanhamento no SUS

E a medicação pelo SUS — tem?

Sim. O metilfenidato (Ritalina) faz parte do Componente Básico da Assistência Farmacêutica e está disponível em muitas UBS e farmácias do SUS — mas a disponibilidade varia por município. Outras medicações, como a lisdexanfetamina (Venvanse), são mais difíceis de conseguir pelo SUS e podem exigir processo administrativo ou judicial.

O que você precisa saber:

  • Medicação para TDAH só é prescrita por médico, com receita controlada (tipo A3 ou B1).
  • Nem toda criança com TDAH precisa de medicação. A decisão é do médico, junto com a família, baseada no grau de prejuízo e na resposta a outras intervenções.
  • Se a medicação prescrita não estiver disponível na farmácia do SUS da sua cidade, pergunte na UBS sobre o processo para solicitação administrativa — cada prefeitura tem um fluxo.

O que a escola pode (e deve) fazer enquanto isso

Você não precisa esperar o diagnóstico fechado para pedir adaptações na escola. A Lei Brasileira de Inclusão garante atendimento educacional adequado a crianças com qualquer condição que impacte a aprendizagem. Na prática:

  • Peça uma reunião com a coordenação e explique a suspeita.
  • Solicite que a professora faça um relatório de observação — isso ajuda tanto o médico quanto o pedido de adaptação.
  • Adaptações razoáveis (sentar na frente, instruções mais curtas, tempo extra em provas) podem ser implementadas antes do laudo.

Resumo do caminho

UBS (consulta com pediatra ou médico da família) → encaminhamento para neuropediatra, psiquiatra infantil ou CAPSi → avaliação clínica do especialista → conduta (acompanhamento, orientação, medicação se necessário).

Em paralelo: avaliação psicopedagógica + adaptações escolares. Nada disso depende de fila.

Para entender melhor o TDAH infantil — sinais por idade, critérios do DSM-5 e como diferenciar de agitação normal — leia o guia completo sobre TDAH infantil.

TAGGED:Orientação a PaisTDAH
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Ingrid Santos
ByIngrid Santos
Psicopedagoga
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Ingrid Santos é psicopedagoga, com pós-graduação em Psicopedagogia (UNINOVE), especialização em Neurociência da Aprendizagem (Faculdade Campos Elíseos), mestrados em Educação (UERJ) e em Estudos Culturais (UFMS), graduação em Pedagogia (UNICID) e licenciatura em Arte (UNIJALES). Atende crianças com dificuldades de aprendizagem, faz avaliação e acompanhamento psicopedagógico, e orienta pais e escolas.

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